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A versão de Bolsonaro para a reunião no Alvorada com Do Val e Silveira

 


Depois de prestar depoimento à Polícia Federal na tarde desta quarta sobre a reunião que teve com o senador Marcos do Val e o então deputado federal Daniel Silveira no dia 8 de dezembro do ano passado, no Palácio da Alvorada, Jair Bolsonaro apresentou a jornalistas sua inusitada versão para o encontro, revelado por VEJA em fevereiro. Segundo o ex-presidente, “nada” foi tratado em quase 20 minutos de conversa.

“O que é que foi tratado? Nada. Tá? Por que tomou volume isso aqui? Porque no início de fevereiro desse ano teve uma live do Marcos do Val onde ele falou que tinha uma bomba que ia ser publicada na VEJA poucos dias depois. Tá? Na própria manhã, o Marcos do Val se retratou e falou que não tinha nenhuma bomba. E daí tornou-se pública uma mensagem no ‘zap’ do Marcos do Val para o senhor Alexandre de Moraes no dia 9 ou 10 de dezembro, logo após aquela reunião comigo”, declarou.

Na sequência, ele disse ter divulgado para a mídia a mensagem que do Val lhe encaminhou em fevereiro deste ano, à qual ele respondeu “coisa de maluco” e o senador concluiu dizendo “exatamente”. A conversa consta em relatório da PF sobre o celular do senador, de fevereiro, que veio a público nesta quarta.

“Ou seja, nada aconteceu no dia 8 de dezembro, até porque eu não tinha nenhum vínculo com o senhor Marcos do Val. E, que eu me lembre, nunca tive uma reunião com ele, nunca o recebi em audiência, a não ser, talvez, fotografia, o que é muito comum acontecer entre nós. Então nada foi tratado, não tinha nenhum plano, pelo menos tratado ali naquela reunião de aproximadamente 20 minutos para alguém gravar o ministro Alexandre de Moraes”, afirmou o ex-presidente.

Bolsonaro disse ter ficado em silêncio durante a reunião e citou um exemplo do passado de “um deputado que já era conhecido” que foi ao Alvorada falar com ele sobre vacina, ocasião em que ele disse também ter ficado calado. Trata-se do ex-deputado federal Luis Miranda, que denunciou supostas irregularidades na compra da Covaxin, ao lado do irmão, em março de 2021.

O ex-presidente então afirmou que foi “recordar” e que houve uma audiência pública antes do dia 8 de dezembro, em que Marcos do Val pegou o microfone e falou: ‘Eu estou saindo agora porque eu tenho uma reunião com o senhor Alexandre de Moraes’.

“Bem, ele quis demonstrar ali que tinha algum grau de amizade ou de intimidade com o ministro Alexandre de Moraes, e aí tudo começou por aí. Daí então houve o contato do deputado Daniel Silveira que o Marcos do Val queria falar comigo um assunto importante”, relatou.

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Questionado sobre o teor da conversa entre Silveira e Do Val naquela reunião, Bolsonaro desconversou: “Olha, o que eu tirei da conversa, fiquei calado ali, é que o Daniel Silveira queria que o Marcos do Val falasse alguma coisa. Ele também não falou nada…”

“Alguma coisa o quê?”, perguntou uma repórter. “Alguma coisa… porque, olha só, eu não sei qual foi o contato do Daniel Silveira com o Marcos do Val, o que que eles conversaram. O que eu tinha de conhecimento também, ainda tenho, pode ser que esteja equivocado, é que Daniel Silveira e o Marcos do Val não tinham um relacionamento. Passou a ter após aquela audiência pública onde o Marcos do Val, ao falar que iria se encontrar com o ministro Alexandre de Moraes, podia extrair alguma coisa de útil desse possível relacionamento entre o senador e o ministro”, comentou.

Novamente indagado sobre o assunto da reunião, que ele disse ter durado uns 20 minutos, Bolsonaro afirmou não ter “interesse” e, na sequência, comentou que “existia um namoro naquele momento de trazermos senadores para o partido”. “E nada mais além disso”, complementou.

Ele então negou ter endossado qualquer trama golpista e questionou por que iria articular alguma coisa com um senador que nunca havia conversado com ele.

Sobre o depoimento à PF, o seu quarto desde que retornou ao Brasil, em março, ele disse ter sido questionado acerca do que tratou a reunião e insistiu que “nada”. “Como o próprio Marcos do Val, em zap, para o ministro Alexandre de Moraes no mesmo dia ou no dia seguinte.

Questionado se a ideia de não deixar o então presidente eleito Lula assumir era do Daniel Silveira, Bolsonaro respondeu que “ninguém tratou disso”. “Olha, a transição minha foi pacífica. Ninguém do PT questionou que não foi bem recebido ou não teve acesso a tudo que queria naquele respectivo ministério. Todos”, declarou.

O advogado Fabio Wajngarten, que é assessor de Bolsonaro e estava ao seu lado na entrevista, então afirmou que “em nenhum momento” da conversa “curta” e “rápida” apareceu o nome do ministro Alexandre de Moraes. “Nesta reunião, não foi discutido nenhum ato preparatório, nenhum plano conspiratório”, declarou.

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