Geladeira nova e imóvel popular: o plano da indústria por estímulo de Lula

 


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva  voltou a recorrer a uma de suas antigas realizações de quando fora presidente para tentar endereçar soluções para a economia. Nesta quarta-feira, 12, a possibilidade de reeditar incentivos à compra de eletrodomésticos como geladeira, máquina de lavar e televisões. Em 2009, no segundo mandato do petista, o governo reduziu o Impostos sobre Produtos Industrializados (IPI) da linha branca. Em 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro reduziu em 25% a cobrança de IPI sobre a maioria destes produtos, de olho na popularidade eleitoral.

A ideia de algum incentivo para a linha branca é bem vista pela indústria. “O que estamos sugerindo é a construção de uma política de Estado para a gente ter um ambiente mais adequado a nossa realidade”, afirma Jorge Nascimento, presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros).

A entidade levanta algumas possibilidades para o incentivo ao consumo, como uma linha de subsídio para algum produto específico, feirão para pessoas de baixa renda, desconto de crédito específico de financiamento ou até a inclusão de eletrodomésticos no Minha Casa, Minha Vida. “A ideia de entregar os imóveis com eletrodomésticos foi muito bem recebida, mas houve algumas dúvidas sobre a operacionalização”, revela Nascimento. A proposta está sendo desenhada pela Eletros e deve ser encaminhada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços em até 40 dias. “Os produtos ofertados pela indústria nacional são muito mais eficientes energeticamente do que os produzidos há 10 anos, só que a base instalada ainda é antiga. Isso vai gerar incremento na economia, dirimir preocupações anuais com crises hídricas e energéticas e diminuir as contas de água e luz dos brasileiros”, lembra o presidente da Eletros.

Os seis primeiros meses de 2023 registraram resultados positivos para a indústria nacional de eletroeletrônicos, que fechou o primeiro semestre com crescimento nas vendas de 13% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram vendidas 44,02 milhões de unidades nos seis primeiros meses de 2023 ante às 39,07 milhões de unidades registradas no mesmo período do ano anterior.

A Eletros, no entanto, ainda enxerga os resultados com cautela. A principal incerteza por parte dos fabricantes é se este ciclo positivo irá se manter no segundo semestre ou se os resultados refletem estritamente um forte movimento de reposição de estoque pelo varejo, visto que o segundo semestre de 2022 trouxe volumes muito baixos. “Foi um ano de muita instabilidade política, inflação alta, desemprego e variação cambial. Atualmente, temos também juros altos, que precisam ser solucionados”, lembra Nascimento.

Iniciativa parecida com a que se desenha para o setor de eletrodomésticos foi feita com o setor automobilístico. O programa de incentivo à compra de carros populares durou um mês e terminou na sexta-feira, 7. Nas contas do governo federal, cerca de 125 mil veículos do tipo foram vendidos. A União disponibilizou 800 milhões de reais para financiar o processo de barateamento das unidades vendidas. As montadoras utilizaram 650 milhões de reais do montante destinado ao programa.

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